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Quando estava estudando, você já leu algo sobre teoria do conhecimento?

Esse é o assunto de Filosofia mais recorrente no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), de acordo com levantamento do Sistema Poliedro.

A disciplina é abordada na prova da área de Ciências Humanas e suas Tecnologias, que é composta por 45 questões objetivas de múltipla escolha. Junto à Filosofia, são avaliados os conhecimentos do candidato em História, Geografia e Sociologia. A prova vale 100 pontos no total.

O número de questões de cada matéria varia ano a ano. Isso significa que você precisa estar preparado para um cenário em que boa parte das questões seja de Filosofia. Mas como?

A dica é focar nos conteúdos que aparecem com mais frequência no Enem.

Por isso, preparamos para você um resumo sobre as principais vertentes da teoria do conhecimento. Ele serve como um guia para fazer aquela super revisão antes de um simulado ou de uma prova, além de ajudar a construir repertório sociocultural para a redação do Enem.

Confira o que você vai ver por aqui:

  1. O que é teoria do conhecimento
    1.1 Gnosiologia e epistemologia
  2. Principais vertentes da teoria do conhecimento
    2.1. Metafísica
    2.2. Racionalismo
    2.3. Empirismo
    2.4. Criticismo
    2.5. Fenomenologia
  3. Questões do Enem sobre teoria do conhecimento para praticar
  4. Conclusão

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O que é teoria do conhecimento

A teoria do conhecimento é uma área da filosofia que estuda a origem, a maneira e a natureza do ato de conhecer dos seres humanos.

Mas o que seria o conhecimento? Quais as condições necessárias para que eu possa dizer com certeza que eu “conheço algo”?

Essas questões intrigam pensadores desde a Antiguidade, como Sócrates e Platão. Suas reflexões sobre o tema chegaram até nós por meio dos diálogos do “Teeteto” (369 a.C.).

As discussões em torno da teoria do conhecimento foram sistematizadas na Idade Moderna, com as ideias de John Locke (1632-1704) e o empirismo – que será detalhado no próximo tópico.

Hoje é comum falar em diferentes fontes de conhecimento, que abrangem:

  • Mitologia: uso da alegoria e da metáfora para explicar os fenômenos da natureza;
  • Senso comum: uso generalizado do conhecimento do dia a dia para explicar fenômenos, sem investigar se esse saber está certo ou errado;
  • Religião: uso de um conjunto de crenças para explicar questões que estão além do mundo material;
  • Filosofia: forma de compreensão da realidade a partir da observação e da lógica;
  • Ciência: uso da razão pura e aplicada para explicar fenômenos. Recorre a experimentos e está em constante transformação.

Cada uma delas explica um acontecimento ou objeto de uma perspectiva diferente, de acordo com a necessidade e instrumentos disponíveis em um dado momento histórico.

Gnosiologia e epistemologia

Agora que você conhece as bases da teoria do conhecimento, é importante fazer a distinção entre gnosiologia e epistemologia, dois termos que vão aparecer durante os seus estudos:

  • Gnosiologia: estudo do conhecimento individual e psicológico, a partir da relação entre o sujeito (aquele que conhece, o ser cognoscente) e o objeto (aquele que pode ser conhecido, o cognoscível);
  • Epistemologia: estudo sobre o conhecimento científico e universalizável, ou seja, de como a ciência é produzida.

Principais vertentes da teoria do conhecimento

Dificilmente aparecerá uma questão no Enem sobre a teoria do conhecimento de forma geral.

A prova cobra as características principais de vertentes específicas. Geralmente, o candidato precisa interpretar trechos de obras de pensadores que viveram determinados contextos históricos.

Aqui vai mais uma dica: seus estudos de Filosofia devem ser combinados com os de História, pois os conteúdos de ambas as matérias se complementam.

A seguir, conheça as 5 vertentes da teoria do conhecimento mais cobradas nas questões de Ciências Humanas e suas Tecnologias do Enem.

1. Metafísica

Ilustração da Alegoria da Caverna de Platão. 4edges/ Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International.Ilustração da Alegoria da Caverna de Platão. 4edges/ Creative Commons Attribution-Share Alike 4.0 International.

Platão é considerado o pensador mais importante dessa vertente da teoria do conhecimento. Nos diálogos do “Teeteto”, que mencionamos acima, ele define dois tipos de saberes: a doxa (opinião) e a episteme (conhecimento verdadeiro).

O filósofo grego também dizia que havia duas realidades diferentes e que o conhecimento verdadeiro estaria em uma delas.

Essas duas realidades seriam:

  1. Realidade sensível: percebida pelos sentidos do corpo;
  2. Realidade suprassensível: percebida pelo intelecto, que abrangeria uma entidade superior, eterna e imutável que conseguiria entender conceitos também eternos e imutáveis.

O conhecimento verdadeiro viria da realidade suprassensível, pois nossos sentidos captariam uma realidade que é falha e enganosa.

A “Alegoria da Caverna” de Platão traz uma ótima narrativa que ajuda a entender a diferença entre essas duas realidades.

O discípulo de Platão, Aristóteles, questionou o mestre e sistematizou a vertente que seria chamada de metafísica. O pensador a chamava de “Filosofia Primeira”, referindo-se a um conjunto de conhecimentos que permitiriam alcançar o pleno estudo do ser enquanto ser.

Para Aristóteles, haveria seis graus de conhecimento:

  1. Sensação;
  2. Percepção;
  3. Imaginação;
  4. Memória;
  5. Raciocínio;
  6. Intuição.

>>> Filosofia clássica no Enem: as principais ideias de Sócrates, Platão e Aristóteles

2. Racionalismo

Retrato do filósofo René Descartes. Domínio Público/Wikimedia Commons.Retrato do filósofo René Descartes. Domínio Público/Wikimedia Commons.

O pensador mais conhecido dessa vertente da teoria do conhecimento é René Descartes (1596-1650), famoso pela frase “penso, logo existo”.

O racionalismo defende que toda possibilidade de conhecimento depende do raciocínio puro. Inspirado em Platão, Descartes afirmava que a origem das ideias está em ideias inatas, que adquirimos antes de nosso nascimento.

Essas ideias inatas estariam em nossas almas e só poderiam ser alcançadas por meio da razão. Ou seja, existe um conhecimento além do raciocínio, em um nível superior.

Além das ideias inatas, o pensador definiu mais dois conjuntos de ideias:

  1. Adventícias: têm origem no que é captado pelos nossos sentidos;
  2. Factícias: têm origem em nossa imaginação;
  3. Inatas: estão em nossas mentes ao nascermos e não dependem da experiência para existirem.

Um livro de René Descartes que inspira muitas questões do Enem é o “Discurso do Método” (1637), em que estão as principais ideias do filósofo francês.

Podemos resumir a ideia central do racionalismo na seguinte frase:

O conhecimento tem origem na razão e tem como base a razão. Os sentidos nos enganam.

Outros filósofos racionalistas para incluir no seu plano de estudos:

3. Empirismo

Retrato do filósofo John Locke, por Sir Godfrey Kneller. Domínio Público/Wikimedia Commons.Retrato do filósofo John Locke, por Sir Godfrey Kneller. Domínio Público/Wikimedia Commons.

Além de ter sido pioneiro na sistematização de uma teoria do conhecimento, John Locke é o principal representante da vertente empirista.

O filósofo se inspirava nas ideias de Aristóteles ao afirmar que a origem de todo conhecimento está na experiência sensorial. São os sentidos que nos oferecem os primeiros dados para construir um saber.

A razão só seria mobilizada após o recebimento dos dados por meio dos sentidos e da intuição. Ela seria a responsável por organizar as informações empíricas, além de verificar a veracidade ou falsidade das informações. A verificação se daria com experimentos e observações.

Para Locke, a mente seria uma “tabula rasa”, ou seja, um “quadro em branco onde seria gravado o conhecimento obtido pela experiência.

A obra “Ensaio acerca do entendimento humano” (1689) de John Locke é considerada uma das bases teóricas do Empirismo, além de ser bastante utilizada como texto de apoio para questões do Enem.

Podemos resumir a ideia central do empirismo na seguinte frase:

O conhecimento tem origem na experiência. Nos relacionamos com o mundo e obtemos conhecimento por meio dos sentidos e das percepções.

O empirismo é uma das bases do método científico de produção de conhecimento que conhecemos hoje.

Outros filósofos racionalistas para incluir no seu plano de estudos:

4. Criticismo

Retrato em calcogravura do filósofo Immanuel Kant, feita por J. L. Raab a partir de uma pintura de Döbler. Domínio Público/Wikimedia Commons.Retrato em calcogravura do filósofo Immanuel Kant, feita por J. L. Raab a partir de uma pintura de Döbler. Domínio Público/Wikimedia Commons.

Immanuel Kant (1724-1804) é visto como o pai do criticismo. Ele propôs que racionalismo e empirismo não se anulam, mas, sim, se complementam.

O filósofo argumentou que as duas vertentes da teoria do conhecimento são essenciais, pois obtemos os dados por meio dos sentidos e adquirimos o conhecimento racional com a ajuda de conceitos universais.

Assim, para chegar ao conhecimento verdadeiro, é preciso que a informação passe pela intuição e pelo conceito. O espaço e o tempo, por exemplo, são percebidos pela nossa intuição, ao mesmo tempo em que são conceitos.

Kant defendia que, para realmente conhecermos algo, o objeto deve estar localizado no tempo e no espaço. Só assim conseguimos captá-lo com os nossos sentidos, a nossa intuição.

A principal obra de Immanuel Kant que inspira questões do Enem é “Crítica da razão pura” (1781).

Podemos resumir a ideia central do criticismo de Kant dessa forma:

Os limites do conhecimento humano são estabelecidos por meio de um intenso exercício filosófico, a partir de uma crítica da razão que combine o empirismo e o racionalismo.

5. Fenomenologia

Retrato do matemático Edmund Husserl, de autoria desconhecida. Domínio Público/Wikimedia Commons.Retrato do matemático Edmund Husserl, de autoria desconhecida. Domínio Público/Wikimedia Commons.

A fenomenologia é a vertente da teoria do conhecimento mais contemporânea, tendo como pensador mais conhecido o alemão Edmund Husserl (1859-1938).

Husserl defendia um método de investigação que apreenda os fenômenos, ou seja, a aparição de algo para nossa consciência. O fenômeno seria o ponto inicial da construção do conhecimento, que depende de como interpretamos o que se mostra a nós.

ATENÇÃO: não confunda o conceito de “fenômeno” de Edmund Husserl com o significado que damos à palavra “fenômeno” em nosso dia a dia, de algo extraordinário. Lembre-se de que, na Filosofia, “fenômeno” é simplesmente a aparição ou manifestação de alguma coisa, que pode ser comum ou não.

Em outras palavras, só conseguimos compreender a realidade, o mundo à nossa volta, a partir da forma como ele se manifesta em nossa consciência. Esta é que dá sentido às coisas.

O sujeito tem mais protagonismo que o objeto. A fenomenologia, assim, dá mais importância à subjetividade no processo cognitivo de obtenção do conhecimento.

O livro “Investigações lógicas” (1901), de Edmund Husserl, é considerada a obra fundadora da fenomenologia.

Podemos resumir a ideia central da fenomenologia dessa forma:

Em oposição ao positivismo, a fenomenologia defende que não existe uma realidade pura e isolada do homem. A realidade existe a partir do momento em que é percebida.

Outros filósofos da fenomenologia para incluir no seu plano de estudos:

Questões do Enem sobre teoria do conhecimento para praticar

Para fixar os conceitos que você aprendeu aqui, separamos algumas questões do Enem de edições anteriores que abordam as vertentes da teoria do conhecimento.

As questões foram retiradas do banco de provas e gabaritos do Enem do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC) que realiza o Exame.

Vamos lá?

Questão 1 - Enem 2017

Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento grande influência sobre essa vida? Se assim é esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as duas outras, de modo que essa finalidade será o bem humano.

ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (adaptado)

Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que

  1. O bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses.
  2. O sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade.
  3. A política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade.
  4. A educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente.
  5. A democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum.
✅ Resposta: Letra C.

Questão 2 - Enem PPL 2018

Quando analisamos nossos pensamentos ou ideias, por mais complexos e sublimes que sejam, sempre descobrimos que se resolvem em ideias simples que são cópias de uma sensação ou sentimento anterior. Mesmo as ideias que, à primeira vista, parecem mais afastadas dessa origem mostram, a um exame mais atento, ser derivadas dela.

HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

Depreende-se deste excerto da obra de Hume que o conhecimento tem a sua gênese na

  1. convicção inata.
  2. dimensão apriorística.
  3. elaboração do intelecto.
  4. percepção dos sentidos.
  5. realidade trascendental.
✅ Resposta: Letra D.

Questão 3 - Enem 2019

Dizem que Humboldt, naturalista do século XIX, maravilhado pela geografia, flora e fauna da região sul-americana, via seus habitantes como se fossem mendigos sentados sobre um saco de ouro, referindo-se a suas incomensuráveis riquezas naturais não exploradas. De alguma maneira, o cientista ratificou nosso papel de exportadores de natureza no que seria o mundo depois da colonização ibérica: enxergou-nos como territórios condenados a aproveitar os recursos naturais existentes.

ACOSTA, A. Bem viver: urna oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Elefante, 2016 (adaptado).

A relação entre ser humano e natureza ressaltada no texto refletia a permanência da seguinte corrente filosófica:

  1. relativismo cognitivo.
  2. materialismo dialético.
  3. racionalismo cartesiano.
  4. pluralismo epistemológico.
  5. existencialismo fenomenológico.
✅ Resposta: Letra C.

Questão 4 - Enem 2019 

TEXTO I

Duas coisas enchem o ânimo de admiração e veneração sempre crescentes: o céu estrelado sobre mim e a lei moral em mim.

KANT, I. Critica da razão prática. Lisboa: Edições 70, s/d (adaptado).

TEXTO II

Duas coisas admiro: a dura lei cobrindo-me e o estrelado céu dentro de mim.

FONTELA, O. Kant (relido). In: Poesia completa. São Paulo: Hedra, 2015.

A releitura realizada pela poeta inverte as seguintes ideias centrais do pensamento kantiano:

  1. possibilidade da liberdade e obrigação da ação
  2. prioridade do juízo e importância da natureza
  3. necessidade da boa vontade e crítica da metafísica
  4. prescindibilidade do empírico e autoridade da razão
  5. interioridade da norma e fenomenalidade do mundo
✅ Resposta: Letra E.

Questão 5 - Enem 2020

TEXTO I

Os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

PESSOA, F. O guardador de rebanhos – IX. In: GALHOZ, M. A. (Org.). Obras poéticas. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1999 (fragmento).

TEXTO II

Tudo aquilo que sei do mundo, mesmo por ciência, eu o sei a partir de uma visão minha ou de uma experiência do mundo sem a qual os símbolos da ciência não poderiam dizer nada.

MERLEAU-PONTY, M. Fenomenologia da percepção. São Paulo: Martins Fontes, 1999 (adaptado).

Os textos mostram-se alinhados a um entendimento acerca da ideia de conhecimento, numa perspectiva que ampara a

  1. anterioridade da razão no domínio cognitivo.
  2. confirmação da existência de saberes inatos.
  3. valorização do corpo na apreensão da realidade.
  4. verificabilidade de proposições no campo da lógica.
  5. possibilidade de contemplação de verdades atemporais.
✅ Resposta: Letra C.

Conclusão

Parabéns!

Com a leitura deste resumo sobre teoria do conhecimento, você está mais perto de atingir uma boa pontuação no Enem e, assim, realizar seu sonho de entrar na faculdade.

Você conheceu as principais vertentes da teoria do conhecimento, principais filósofos e obras. Também pode colocar em prática os conceitos e a interpretação de texto com questões de Filosofia do Enem.

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