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Você sabia que um dos principais conteúdos da prova de Ciências Humanas do Enem é filosofia clássica?

A prova de Ciências Humanas e suas Tecnologias reúne questões de história, geografia, sociologia e filosofia. Em média, pelo menos 15 das 45 questões que compõem a prova são especificamente de filosofia. 

Essas questões passam por diversos campos dos estudos filosóficos, mas um dos principais é filosofia clássica. 

Esse assunto aparece em todas as edições do Enem e ganha um número considerável de questões, merecendo, assim, sua atenção na hora dos estudos.

Quer saber mais sobre filosofia clássica no Enem? Continue conosco e entenda tudo sobre o assunto!

Confira: 
O que caracteriza a filosofia clássica 
Os filósofos que mais aparecem nas questões do Enem
Como estudar filosofia para o Enem
Questões do Enem de filosofia clássica para praticar 

Descubra os segredos para tirar nota 1000 na redação do ENEM!

O que caracteriza a filosofia clássica 

A filosofia é dividida em fases a partir das semelhanças que os filósofos possuem entre si. 

Um destes períodos é a filosofia clássica – momento em que se iniciou o pensamento filosófico, entre os séculos VII a.C e VI d.C.

A filosofia clássica começa com a transição do pensamento mítico para pensamento filosófico no ocidente, por volta do século VI a.C.

Na Grécia Antiga, os mitos eram a principal fonte de conhecimento da sociedade. Eram narrativas orais, contadas de pais para filhos, gerações para gerações. 

Essas histórias, que normalmente envolviam deuses, heróis e personagens sobrenaturais, eram utilizadas pelos gregos para explicar fenômenos da natureza, as origens do mundo e do ser humano. Além disso, elas também eram uma forma de explicar as regras morais da sociedade. 

Contudo, a partir do século V a.C., os gregos passaram a vivenciar novas experiências que modificaram suas formas de vida. 

A convivência coletiva em espaço público, o desenvolvimento do comércio e as viagens comerciais trouxeram nossas perspectivas para a sociedade. Essas novas experiências despertaram questionamentos sobre a veracidade dos mitos que circulavam.

A partir disso, as respostas sobre o ser humano e sobre o mundo passaram a ser investigadas de forma mais racional, por meio da observação e da razão. 

Assim, surgiram os primeiros filósofos, que são chamados de pré-socráticos.

Esses filósofos tinham os mesmos objetivos: descobrir a verdadeira origem do universo utilizando como base a observação da natureza. 

Nesse contexto, Tales de Mileto consagrou-se como o primeiro filósofo com a suposição de que a água era o princípio de tudo. 

Outros nomes importantes foram Anaximandro de Mileto, Pitágoras de Samos, Anaximenes de Mileto, Parmênides de Eléia, Heráclito de Éfeso, Zenão de Eleia, Demócrito de Abdera e Diógenes de Apolônia.

Apesar desses filósofos terem um importante papel no surgimento da filosofia, só houve uma transformação real no campo filosófico com as ideias de Sócrates

O período socrático é marcado pelo forte amadurecimento da filosofia para uma forma mais estruturada e pelo desenvolvimento de pensamentos no campo da ética e da política, que estavam praticamente ausentes nos pré-socráticos. 

Muitos estudiosos, inclusive, apontam que foi com Sócrates que surgiu a filosofia clássica. 

Nesse sentido, a filosofia clássica poderia ser definida como a filosofia feita no período socrático, pelo próprio Sócrates ou pelos filósofos influenciados por ele, como Platão e Aristóteles.

Suas produções refletem sobre o conhecimento em si mesmo, a vida política, a ética, organização das cidades, a alma humana, entre outras questões que são basilares até os dias de hoje. 

Os filósofos que mais aparecem nas questões do Enem 

Agora que você já sabe o que é filosofia clássica e quais as características desse período, qual tal conhecer mais sobre alguns dos principais filósofos dessa fase?

Nos tópicos a seguir, vamos apresentar as ideias dos três principais pensadores da filosofia clássica – Sócrates, Platão e Aristóteles – e trazer um panorama do período que antecedeu e sucedeu esses filósofos. 

Confira:

1 - Pré-socráticos 

Como vimos no tópico anterior, o primeiro período da filosofia ocidental é o pré-socrático.

Essa fase da filosofia se caracteriza pela busca de uma maneira racional de entender a origem do universo, em oposição à visão mitológica que ainda era predominante na época. 

Nesse período, a mitologia grega explicava o universo através da cosmogonia. Ou seja, a existência humana girava em torno dos deuses e seus mitos. 

Os pensadores pré-socráticos, contudo, romperam com essa concepção.

Eles procuraram nos elementos da natureza as respostas sobre a origem do ser humano e do mundo. Não é à toa que grande parte dos estudiosos desse período ficaram conhecidos como "filósofos da natureza".

Eles foram responsáveis pela transição da consciência mítica para a consciência filosófica, buscando explicações sobre o universo baseado no lógos ("argumentação", "lógica", "razão"). 

Esses pensadores deram o pontapé inicial para toda a produção de conhecimento e representação da realidade que conhecemos hoje. 

Suas ideias serviram de base para o desenvolvimento da cultura ocidental e foram o primeiro passo em direção à filosofia clássica.

2 - Sócrates 

Sócrates foi um dos maiores filósofos da Grécia antiga e é o principal nome da filosofia clássica. 

Ele trouxe importantes contribuições para os estudos do ser e de sua essência. Não é à toa que um de seus lemas era a famosa frase “conhece-te a ti mesmo”.

A filosofia de Sócrates é baseada no diálogo. Com a palavra, com o debate, com o questionamento, ele levava as pessoas a conhecerem mais sobre si mesmas e sobre o mundo. 

Seu processo trazia máximas que faziam os indivíduos abandonarem algumas certezas enraizadas e começarem a pensar mais sobre as coisas que os cercam. 

É por isso, inclusive, que Sócrates era chamado de parteiro de ideias.

filosofia clássica no enem - estátua de pensador

3 - Platão 

Platão foi discípulo de Sócrates e um dos mais importantes filósofos do período clássico. A principal contribuição de Platão foi sua teoria idealista.

Essa teoria propõe uma distinção entre mundo sensível – inferior e enganoso – que seria obtido pelos sentidos do corpo, e o universo inteligível – superior e ideal – que nos permitiria acessar a verdade sobre as coisas. 

Ou seja, de acordo com essa teoria, tudo aquilo que pode ser percebido através dos sentidos não passa de uma imitação de uma ideia.

Para o pensador, os sentidos são falhos e conduzem os seres humanos a uma vida de ignorância, presa às aparências.

Para ilustrar sua teoria, Platão utilizou o Mito da Caverna, uma história criada por ele próprio para explicar a condição de ignorância em que vivem os seres humanos. 

Para Platão, o verdadeiro conhecimento estaria no uso da razão, a única ferramenta para alcançar o conhecimento verdadeiro, o conhecimento das ideias. 

Através da razão, os seres humanos seriam capazes de alcançar a essência, os conceitos, as ideias fixas e imutáveis de cada ser ou objeto existente.

4 - Aristóteles 

Aristóteles também é um dos principais nomes da filosofia clássica. Ele foi aluno de Platão na Academia, mas discordava de seu mestre acerca da teoria das ideias. 

Aristóteles é conhecido como um filósofo empirista. Ou seja, ele baseava o conhecimento na experiência. Segundo o filósofo e ao contrário de Platão, o conhecimento da verdade deveria passar por dois campos de nosso saber: o intelecto puro (razão) e os sentidos do corpo. 

Além da valorização do conhecimento empírico, os principais assuntos da filosofia aristotélica passam também pelos campos da metafísica, ética e política.

5 - Pós-socráticos 

Após a morte de Sócrates e com o fim da hegemonia política e militar da Grécia, inicia-se o período pós-socrático da filosofia. 

Nessa fase, desenvolveram-se três principais correntes de pensamento: ceticismo, epicuristas e estoicos.

Os pensadores ceticistas acreditavam que a dúvida deveria ser constante, uma vez que não se pode conhecer nada de forma exata e completamente segura. 

Já os seguidores do pensador Epicuro, denominados Epicuristas, defendiam a virtude como geradora do bem, ou seja, o corpo não deveria sofrer, tampouco a alma, para chegar ao prazer. 

No estoicismo, a razão era defendida e qualquer fenômeno exterior à vida, como a emoção, o prazer e o sofrimento, deveria ser deixado de lado.

Como estudar filosofia para o Enem

Primeiro, é importante que você tenha em mente que o Enem não é uma prova de decoreba. Assim, você não precisa saber ao pé da letra o nome de todos filósofos ou saber citar cada linha teórica da área. 

A maioria das questões do Enem de filosofia, como grande parte da área de Ciências Humanas, são acompanhadas por textos de apoio. Esses enunciados fornecem ótimas pistas sobre o assunto abordado, contextualizando o tema da questão.

Por isso, é muito mais importante que você tenha um conhecimento geral sobre as teorias e filósofos, sabendo relacionar esses conceitos, do que ter tudo decorado de forma mecânica e sem um entendimento profundo. 

Na hora de estudar, não foque em saber tudo sobre filosofia. Oriente seus para compreender de forma plena os principais conceitos e teorias, tendo capacidade para fazer relações entres eles e situá-los na história. 

Isso certamente garantirá um bom desempenho na prova!

Questões do Enem de filosofia clássica para praticar 

Vamos ver na prática como o conteúdo de filosofia clássica cai no Enem? Confira a seguir algumas questões cobradas nas edições anteriores do exame:

1 - (Enem) Sem dúvida, os sons da voz (phone) exprimem a dor e o prazer; também a encontramos nos animais em geral; sua natureza lhes permite somente sentir a dor e o prazer e manifestar-lhes entre si. Mas o lógos é feito para exprimir o justo e o injusto. Este é o caráter distintivo do homem face a todos os outros animais: só ele percebe o bem e o mal, o justo e o injusto, e os outros valores; é a posse comum desses valores que faz a família e a cidade.

ARISTÓTELES. A política. São Paulo: Nova Cultural, 1987 (adaptado).

Para o autor, a característica que define o ser humano é o lógos, que consiste na

a) evolução espiritual da alma.
b) apreensão gradual da verdade.
c) segurança material do indivíduo.
d) capacidade racional de discernir.
e) possibilidade eventual de transcender.

2 - (Enem) Quando soube daquele oráculo, pus-me a refletir assim: “Que quererá dizer o Deus? Que sentido oculto pôs na resposta? Eu cá não tenho consciência de ser nem muito sábio nem pouco; que quererá ele então significar declarando-me o mais sábio? Naturalmente não está mentindo, porque isso lhe é impossível”. Por longo tempo fiquei nessa incerteza sobre o sentido; por fim, muito contra meu gosto, decidi-me por uma investigação, que passo a expor.

(PLATÃO. Defesa de Sócrates. Trad. Jaime Bruna. Coleção Os Pensadores. Vol. II. São Paulo: Victor Civita, 1972, p. 14.)

O texto acima pode ser tomado como um exemplo para ilustrar o modo como se estabelece, entre os gregos, a passagem do mito para a filosofia. Essa passagem é caracterizada:

a) pela transição de um tipo de conhecimento racional para um conhecimento centrado na fabulação. 
b) pela dedicação dos filósofos em resolver as incertezas por meio da razão. 
c) pela aceitação passiva do que era afirmado pela divindade. 
d) por um acento cada vez maior do valor conferido ao discurso de cunho religioso. 
e) pelo ateísmo radical dos pensadores gregos, sendo Sócrates, inclusive, condenado por isso.

3 - (Enem/2017) Uma conversação de tal natureza transforma o ouvinte; o contato de Sócrates paralisa e embaraça; leva a refletir sobre si mesmo, a imprimir à atenção uma direção incomum: os temperamentais, como Alcibíades sabem que encontrarão junto dele todo o bem de que são capazes, mas fogem porque receiam essa influência poderosa, que os leva a se censurarem. Sobretudo a esses jovens, muitos quase crianças, que ele tenta imprimir sua orientação.

BREHIER, E. História da filosofia. São Paulo: Mestre Jou, 1977.

O texto evidencia características do modo de vida socrático, que se baseava na

a) Contemplação da tradição mítica.
b) Sustentação do método dialético.
c) Relativização do saber verdadeiro.
d) Valorização da argumentação retórica.
e) Investigação dos fundamentos da natureza.

4 - (Enem/2012) TEXTO I

Anaxímenes de Mileto disse que o ar é o elemento originário de tudo o que existe, existiu e existirá, e que outras coisas provêm de sua descendência. Quando o ar se dilata, transforma-se em fogo, ao passo que os ventos são ar condensado. As nuvens formam-se a partir do ar por feltragem e, ainda mais condensadas, transformam-se em água. A água, quando mais condensada, transforma-se em terra, e quando condensada ao máximo possível, transforma-se em pedras.

BURNET, J. A aurora da filosofia grega. Rio de Janeiro: PUC-Rio, 2006 (adaptado).

TEXTO II

Basílio Magno, filósofo medieval, escreveu: “Deus, como criador de todas as coisas, está no princípio do mundo e dos tempos. Quão parcas de conteúdo se nos apresentam, em face desta concepção, as especulações contraditórias dos filósofos, para os quais o mundo se origina, ou de algum dos quatro elementos, como ensinam os Jônios, ou dos átomos, como julga Demócrito. Na verdade, dão impressão de quererem ancorar o mundo numa teia de aranha.”

GILSON, E.: BOEHNER, P. Historia da Filosofia Crista. São Paulo: Vozes, 1991 (adaptado).

Filósofos dos diversos tempos históricos desenvolveram teses para explicar a origem do universo, a partir de uma explicação racional. As teses de Anaxímenes, filósofo grego antigo, e de Basílio, filósofo medieval, têm em comum na sua fundamentação teorias que

a) eram baseadas nas ciências da natureza.
b) refutavam as teorias de filósofos da religião.
c) tinham origem nos mitos das civilizações antigas.
d) postulavam um princípio originário para o mundo.
e) defendiam que Deus é o princípio de todas as coisas.

5 - (Enem/2020) Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhe parece um bem; se todas as comunidades visam algum bem, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens.

ARISTÓTELES. Política. Brasília: UnB,1988

No fragmento, Aristóteles promove uma reflexão que associa dois elementos essenciais à discussão sobre a vida em comunidade, a saber:

a) Ética e política, pois conduzem à eudaimonia.
b) Retórica e linguagem, pois cuidam dos discursos na ágora.
c) Metafísica e ontologia, pois tratam da filosofia primeira.
d) Democracia e sociedade, pois se referem a relações sociais.
e) Geração e corrupção, pois abarcam o campo da physis.

6 - (Enem PPL 2020) Se os filósofos não forem reis nas cidades ou se os que hoje são chamados reis e soberanos não forem filósofos genuínos e capazes e se, numa mesma pessoa, não coincidirem poder político e filosofia e não for barrada agora, sob coerção, a caminhada das diversas naturezas que, em separado buscam uma dessas duas metas, não é possível, caro Glaucon, que haja para as cidades uma trégua de males e, penso, nem para o gênero humano.

PLATÃO. A República. São Paulo: Martins Fontes, 2014.

A tese apresentada pressupõe a necessidade do conhecimento verdadeiro para a

a) superação de entraves dialógicos.
b) organização de uma sociedade justa.
c) formação de um saber enciclopédico.
d) promoção da igualdade dos cidadãos.
e) consolidação de uma democracia direta.

7 - (Enem PPl 2016) Estamos, pois, de acordo quando, ao ver algum objeto, dizemos: “Este objeto que estou vendo agora tem tendência para assemelhar-se a um outro se, mas, por ter defeitos, não consegue ser tal como o seu em questão, e lhe é, pelo contrário, inferior”. Assim, para podermos fazer estas reflexões, é necessário que antes tenhamos tido ocasião de conhecer esse ser de que se aproxima o dito objeto, ainda que imperfeitamente.

PLANTÃO, Fédon. São Paulo: Abril Cultural, 1972.

Na epistemologia platônica, conhecer um determinado objeto implica

a) estabelecer semelhanças entre o que é observado em momentos distintos.
b) comparar o objeto observando com uma descrição detalhada dele.
c) descrever corretamente as características do objeto observado.
d) fazer correspondência entre o objeto observando e seu ser.
e) identificar outro exemplar idêntico ao observado.

Gabarito: 1 - D, 2 - B, 3 - B, 4 - D, 5 - A, 6 - B, 7 - D

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